Janeiro sempre me passou ao lado, mas desde que me mudei
para terras nórdicas que me fui apercebendo do encanto de meses do ano em que
mal reparava quando estava em Portugal. Agora, enquanto vou espreitando pela janela à espera
que o céu me traga um pouco do algodão, que aqui caracteriza Janeiro, reparo
nas particularidades deste primeiro mês do resto do ano, que é também o
primeiro mês completo de Inverno. Devagar, devagarinho, os dias já se vão
tornando maiores, mas o sol ainda nasce demasiado tarde, para se pôr quando a
tarde começa. Este é o tempo de cortar nos doces, quando ainda há espaço para
uma fatia de bolo-rei (para quem gosta, que não é o caso). E a seguir aos Reis?
Bem, é a altura de dizer adeus aos enfeites que anunciaram a chegada do menino
Jesus, e do Pai Natal, e voltar ás refeições normais. Tempo de reflectir sobre
o que passou e planear o que aí vem. É o mês de todos os sonhos, onde tudo é
possível, ou não nos tivéssemos sacrificado a comer doze passas para esse
efeito. Temos todo o tempo do Mundo, pelo menos mais um dia este ano, para nos
realizarmos e mostrarmos a todos que somos pessoas com objectivos e com
persistência para os atingir. Já se ouvem as resoluções de ano novo que só se
iniciam lá para meio do mês que vem (ou do outro), e vai se estreando os
presentes que o velho ano ofereceu antes de nos dizer adeus e levar tudo o que
já parece distante demais, mas que só partiu há uma semana.
Este é um novo começo onde tudo parece possível, e aqui por estas bandas
vai ser!

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